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Goiânia vê "mix tático" com boas corridas nas vitórias de Gomes e Osman

Reportagem: Eduardo Antonialli / Cleber Bernuci
Fotos: F. Davini / F. Freixosa / D. Bairros

Campeão de 2015 assume a liderança do campeonato com reveses sofridos por Daniel Serra e Cacá Bueno. Felipe Fraga também sobe e é o novo vice-líder.

A 3ª etapa da temporada teve duas corridas marcadas pela quantidade de ultrapassagens e disputa, bem como pela variação das estratégias de paradas de box. Neste cenário triunfaram Marcos Gomes, da Cimed Racing, e Galid Osman, da Ipiranga-RCM, respectivamente. O resultado coloca o atual campeão da categoria na liderança da tabela, seguido por seu companheiro de equipe Felipe Fraga, 12º na prova inicial e 2º colocado na complementar. Também subiram ao pódio nas provas Ricardo Maurício, Valdeno Brito e Rubens Barrichello.

A variedade tática entre os pilotos deu boa parte do tom das disputas, mas as brigas na pista, entre competidores que tinham 17 acionamentos do botão de ultrapassagem para administrar uma hora e quinze minutos (na soma das duas provas), também empolgou a torcida que encheu o Autódromo Ayrton Senna.

A primeira prova, mais longa e com mais pontos, começou quente. Cacá Bueno manteve a liderança conquistada com a pole position, e Marcos Gomes logo ascendeu ao 2º posto depois de passar Rubens Barrichello. Daniel Serra escoltava os três primeiros no aguardo de alguma oportunidade. Enquanto o quarteto abria distância em relação ao restante do pelotão, as paradas começaram na 10ª volta. Felipe Fraga foi o primeiro a parar, e logo depois foi a vez de Allam Khodair, Galid Osman e Ricardo Zonta. Barrichello e Serra protagonizaram boas disputas com várias trocas de posição no 3º lugar; no 19º giro, foi a vez de Marcos Gomes ultrapassar Cacá Bueno. Foi ali que começou o calvário do pentacampeão. Seu pneu traseiro esquerdo - o mais exigido no traçado de Goiânia - começou a perder pressão e furou de vez duas voltas depois, forçando-o a uma volta extremamente lenta para parar nos boxes e assim fazer a troca. Serra também teve problemas com a pressão da bomba de óleo de seu carro, o motor entrou em modo de segurança e depois de parar para abastecer, conseguiu voltar à corrida.

Barrichello via que não teria chances de disputar a vitória contra Gomes, e foi o último piloto a fazer seu pit stop, bem no final da janela de paradas no 35º minuto - o que se revelaria um acerto para o campeão de 2014. Ao final das 30 voltas, Marcos Gomes acertou ao não parar, venceu e somou os 30 pontos que o colocaram na liderança do campeonato. Ricardo Maurício optou pela mesma tática fechando em 2º na prova com 25, enquanto Valdeno Brito fez seu segundo pódio consecutivo e mais 22 pontos na contagem.

"A estratégia foi arriscar na primeira prova, que dá o maior número de pontos. E estava claro que os três primeiros iriam privilegiar a bateria inicial. Para a segunda tínhamos que parar logo no começo, perder uns 30 segundos e contar com a entrada de um safety car ou algo diferente para conseguir beliscar mais alguns pontinhos", disse Gomes.

Ricardo Maurício apostava na recuperação e os 25 pontos eram os mais importantes para sua campanha na temporada. "Quanto eu estava ali em 5º ou 6º ainda era uma incógnita se íamos parar ou não, mas como perdi muito no Velopark ao não pontuar depois de uma quebra, estes pontos foram fundamentais", afirmou.

Os dois primeiros da prova inicial andaram praticamente juntos na segunda corrida, mas não pontuaram. Os pilotos da Cimed Racing e Eurofarma-RC fecharam em 16º e 15º, respectivamente, prova da importância dada na corrida de maior duração e pontuação.

Quem brilhou na segunda prova foram os oito primeiros colocados: Galid Osman, Felipe Fraga, Rubens Barrichello, Ricardo Zonta, Thiago Camilo, Cacá Bueno, Diego Nunes e Allam Khodair. Todos, exceto Barrichello, Cacá e Khodair, optaram por parar no início da primeira corrida e somaram bons pontos nas posições intermediárias do pelotão; na segunda largada, trataram de partir para cima para aumentar a soma no campeonato.

Destaques para Cacá e Khodair, que tiveram que largar no final do grid e se recuperaram para diminuir o prejuízo, chegando em 6º e 8ºoitavo, respectivamente. Rafael Suzuki era o 4º até a última volta, quando o amortecedor traseiro esquerdo de seu carro quebrou, e o piloto se arrastou na pista para terminar em 10º lugar. A inversão do grid colocaria o piloto da Geolab Racing na pole da segunda prova, mas como a equipe precisava realizar a manutenção, ele teve de largar dos boxes. Isso colocou Júlio Campos em 1º e Sérgio Jimenez em 2º. Os dois duelaram por algum período e quando Galid Osman se aproximou da dupla, foi a deixa para os dois primeiros colocados partirem para suas paradas de box - que não haviam feito na primeira corrida.

E de fato, o quebra cabeça passa a ser maior com o novo regulamento das paradas de box, de acordo com o vencedor da segunda corrida, Galid Osman. É sua segunda vitória na Stock Car, encerrando um hiato que perdurava desde a prova de 2014 no Velopark. "Ontem tivemos uma reunião de equipe que durou mais de uma hora para traçar a estratégia. Eu sabia que largando em 12º na primeira me colocava em uma posição muito boa para poder fazer a escolha", lembrou o piloto da Ipiranga-RCM. "Por isso optamos por parar no começo, imprimir um ritmo forte e ganhar o máximo possível de posições. Para mim era uma corrida diferente: embora eu estivesse em 14º, entre os pilotos que haviam feito o pit stop eu era o 4º colocado. Quando terminamos eu sabia que estava na briga, pois economizei pneus e botões de ultrapassagem. Aí na largada foi partir para cima e me manter à frente - mas não foi fácil. Estou feliz demais", explicou.

Fraga optou por tática semelhante, e quase entrega um final de semana 100% para a Cimed Racing, que vencera com Marcos Gomes pouco antes. "Acho que tivemos a melhor estratégia de toda a corrida. Larguei em 13º, parei no começo da janela (na 12ª volta) e recuperei boas posições. Era arriscado porque depois também tive que economizar combustível. Felizmente deu tudo certo, ganhei uma posição no campeonato e só posso estar contente", lembrou.

Assim como Ricardo Maurício na primeira corrida, Galid e Fraga na soma das duas provas, Rubens Barrichello também sai de Goiânia com mais 25 pontos no bolso. Seu raciocínio é lógico: se não dá para vencer, trabalhe pelo maior número de pontos disponível. "A realidade é que se vence um título com mais pontos e não com mais pódios", decretou. "A gente não tinha a chance de ganhar, então partimos para a estratégia, que foi muito acertada. No final eu acho que marcaria 22 pontos com a terceira colocação na primeira corrida e agora marco 25 com a opção que a gente fez", disse Rubens, que já tem vitória em Goiânia e terminou a bateria inicial na 11ª posição. "Mas admito que abdicar de um pódio é quase uma facada no coração. Porém, temos de jogar com as regras. E no final, 25 é mais que 22", concluiu.

Marcos Gomes soma 59 pontos, contra 56 de Felipe Fraga, 53 de Barrichello, 50 de Valdeno Brito e 47 de Átila Abreu. Cacá Bueno e Diego Nunes têm 44 cada. Daniel Serra (40), Max Wilson (39) e Dennis Navarro (36), fecham os dez primeiros da tabela.

Primeira bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Marcos Gomes
Ricardo Mauricio
Valdeno Brito
Max Wilson
Vitor Genz
Átila Abreu
Felipe Guimarães
Sergio Jimenez
Julio Campos
10º Rafael Suzuki
 
Segunda bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Galid Osman
 Felipe Fraga
 Rubens Barrichello
Ricardo Zonta
 Thiago Camilo
Cacá Bueno
Diego Nunes
Allam Khodair
Guga Lima
10º Nestor Girolami

Grid de largada

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