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Corridas cheias de alternativas premiam Felipe Fraga e Max Wilson

Reportagem: Eduardo Antonialli / Cleber Bernuci
Fotos: D. Bairros / F. Davini / F. Freixosa

Fraga é o novo líder do campeonato: largou da pole e não perdeu a dianteira; Max arriscou na estratégia, saiu de 22º na prova complementar e faturou a vitória.

A 4ª etapa da temporada apresentou duas corridas recheadas de alternativas para os pilotos em Santa Cruz do Sul. No lucro saiu Felipe Fraga, o pole position, que venceu a primeira corrida e, mesmo não tendo pontuado na prova complementar, parte para a próxima etapa na liderança do campeonato com 86 pontos. A primeira disputa teve ainda Allam Khodair e Daniel Serra completando o pódio. Já na segunda corrida, mais curta, Max Wilson arriscou na estratégia e ficou com a vitória, seguido por Rubens Barrichello e Felipe Guimarães.

Um bom público compareceu ao autódromo de Santa Cruz do Sul em uma tarde de domingo com temperaturas pouco mais altas que nos dias anteriores, apesar do céu nublado. A largada da corrida de 34 voltas teve confusão logo após a primeira curva, quando alguns carros bateram e o maior prejuízo ficou com o argentino Nestor Girolami, além de Felipe Guimarães, que acabou penalizado, e também Cacá Bueno, que caiu da 4ª para a 20ª colocação.

Fraga manteve a ponta e era seguido de perto por Allam Khodair. O piloto da Full Time, no entanto, não conseguia aproximar-se o suficiente para tentar a manobra de ultrapassagem. Com a capacidade total do tanque de combustível à disposição dos pilotos, apenas sete dos 24 que terminaram a bateria optaram por fazer uma parada nos boxes. Outros, com problemas, escolheram recolher para que fossem feitas as manutenções necessárias em seus bólidos para que voltassem em boas condições à disputa seguinte.

Daniel Serra também manteve a 3ª posição da largada, seguido por Max Wilson, que teve de fazer uma parada forçada por um furo do pneu traseiro direito. Quando voltou à pista, Max colocou-se à frente do líder Fraga e apesar de demonstrar bom ritmo, demorou a abrir passagem para os líderes. Depois, o piloto da Eurofarma-RC retornou no final da prova e trocou todo o jogo, já colocando em prática a estratégia para a segunda corrida.

No fim os três primeiros do grid de largada mantiveram a ordem na bandeirada: Felipe Fraga, que assumiu a liderança do campeonato, Allam Khodair e Daniel Serra. Marcos Gomes fechou em 4º, com Átila Abreu em 5º.

Fraga, que no sábado afirmara ter tirado um grande peso das costas ao fazer a pole position, demonstrava um misto de felicidade com revolta. "Eu sabia que estava mais rápido que o Allam, então fiquei administrando a vantagem até que o Max de repente começou a atrapalhar a nossa corrida", disse. "Eu não entendi o que ele estava fazendo, mas o importante é que cumprimos o nosso objetivo depois da pole, que era vencer a corrida. Tive que gastar muitos acionamentos do push-to-pass por causa do Max. Mas agora somos líderes do campeonato e isso vem acima do resto", afirmou.

A inversão dos dez primeiros colocados do grid colocou Ricardo Zonta e Sérgio Jimenez na primeira fila. A disputa começou quente, e os pilotos que pararam na primeira prova já saíam em vantagem. Pouco a pouco, quem aparecia na frente tinha que ir aos boxes abastecer. Foi quando Max Wilson, abastecido e de pneus novos, surgiu na liderança, seguido de um surpreendente Rubens Barrichello, que sofreu durante todo o final de semana com um carro instável, e o também surpreendente Felipe Guimarães, em sua primeira temporada completa na Stock Car.

"A parada no final da primeira corrida foi determinante. Eu estava fora da zona de pontos, então resolvi parar, colocar um jogo de pneus melhores e apostar tudo na segunda. Deu certo", revelou Max Wilson, o vencedor. Sobre o imbróglio com Fraga, o piloto da Eurofarma-RC disse que não era sua intenção prejudicar o colega de trabalho. "Quando eu voltei à pista (na primeira corrida) eu saí logo na frente do Fraga. Eu não vi que o Khodair estava próximo dele, e eu sabia que podia abrir distância porque naquele momento eu não queria tomar volta. Porque se entra um safety car eu teria condições de recuperar e voltar para a corrida. Então eu dei uma volta na frente deles, comecei a abrir e aí para não atrapalhar mais do que eu já havia feito quando retornei eu vi que estava fora da zona de pontos e resolvi tirar o pé para poupar o carro e apostar tudo na segunda corrida. Não tive a intenção de prejudica-lo de forma alguma, mas eu também estava defendendo a minha corrida", explicou.

Para Rubens Barrichello, o 2º lugar foi um prêmio pela persistência depois de dias difíceis em Santa Cruz do Sul. "A gente veio enfrentando problema durante o fim de semana inteiro. Não sabemos ainda qual é o problema, porque o carro estava muito solto, saindo muito de traseira, e em uma pista que eu adoro e que largamos em 20º. Então tivemos que jogar com a estratégia para somar o maior número possível de pontos. Até estava em condição de tentar ganhar a segunda corrida, mas o Max estava mais forte e agora é uma bela lição de casa. A estratégia da prova nos permite ter este tipo de resultado, mas se voltarmos à pista agora e classificar e correr de novo, nós não estamos rápidos. Temos de trabalhar", avisou.

Guimarães compartilhava de sentimento parecido. E parecia aliviado. "Praticamente uma montanha-russa. Eu terminei a primeira corrida muito frustrado com a punição que eu tomei - nem tanto pelo acidente, porque ali eu fiquei totalmente vendido na situação e acabei levando a culpa, o que me chateou bastante. Mas aí veio a reviravolta, algo que nem eu esperava, com um pódio. Eu até achava que iria pontuar bem, porque poucos pilotos fizeram pit stop na primeira prova - e consequentemente teriam de parar na segunda. Para mim este pódio foi inacreditável. Viemos com um carro melhor para cá, tínhamos condição até de largar melhor, talvez de uma quinta posição, e agora é questão de se entrosar mais com a equipe, ajustar mais, porque tenho certeza de que este é o primeiro pódio de muitos", completou.

Raphael Abbate também conquistou seu melhor resultado na categoria ao cruzar a linha de chegada em 4º lugar, seguido de Galid Osman, Ricardo Maurício, Cacá Bueno, Rafael Suzuki, Ricardo Zonta e Átila Abreu fechando os dez primeiros.

No campeonato, Fraga agora é o líder com 86 pontos, 7 à frente de Marcos Gomes, seu companheiro de equipe. Pontuando regularmente nas duas provas, Átila Abreu saltou da 6ª para a 3ª posição com 70. Rubens Barrichello aparece em 4º com 66, 1 a mais que Daniel Serra.

Primeira bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Felipe Fraga
Allam Khodair
Daniel Serra
Marcos Gomes
Ricardo Mauricio
Átila Abreu
Gabriel Casagrande
Vitor Genz
Sergio Jimenez
10º Ricardo Zonta
 
Segunda bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Max Wilson
 Rubens Barrichello
 Felipe Guimarães
Raphael Abbate
 Galid Osman
Ricardo Mauricio
Cacá Bueno
Rafael Suzuki
Ricardo Zonta
10º Átila Abreu

Grid de largada

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