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Chuva em Goiânia põe fogo na disputa pelo título

Reportagem: Eduardo Antonialli / Cleber Bernuci
Fotos: Fernanda Freixosa / Duda Bairros

Felipe Fraga continua na liderança, mas sua vantagem foi diminuída de 44 para 29 pontos em duas provas disputadas e com verdadeiras guerras estratégicas.

Palco da 10ª e antepenúltima etapa da Stock Car, Goiânia recebeu duas corridas extremamente disputadas e com muita estratégia por parte de pilotos e equipes. Na primeira corrida, mais longa, vitória para Rubens Barrichello, que largou da pole position e soube segurar os ataques de um ávido Felipe Fraga; na segunda, de 30 minutos, a ordem era a economia de combustível, tática que premiou Átila Abreu com sua primeira vitória na temporada.

Os dois líderes do campeonato fizeram provas parelhas. Com Fraga no encalço de Barrichello durante todos os 45 minutos de prova - só foi "refrescar" o ataque na última volta, quando cometeu um pequeno erro e perdeu o contato -, o piloto da Cimed Racing permanece na liderança do campeonato, agora com 252 pontos. O competidor de 21 anos caminhava para um pódio certo na segunda prova, mas na volta final parou sem combustível.

O pole position Barrichello, por outro lado, precisava da maior soma possível de pontos para se manter vivo na disputa e chegar mais perto de Fraga. Conseguiu. Com a vitória e o 5º lugar, somou 40 pontos em Goiânia, diminuindo sua desvantagem na tabela de 44 para 29 pontos - tendo tirado 15 do adversário. "Agora é tudo um cálculo. 1º e 5º é um ótimo resultado para o fim de semana. Na primeira corrida ficamos ali, eu e o Fraga trocando botões de ultrapassagem - quando eu usava, eu não podia errar, senão ele usaria na volta seguinte para me passar, e quando ele usava, eu ficava na minha", explicou. "Teve um momento em que o Mau (Maurício Ferreira, chefe da Medley-Full Time) entrou no rádio me disse para ganhar a corrida economizando combustível - fácil, né?", ironizou, brincando.

A economia foi a tônica da parte final da primeira prova e toda a duração da segunda. "O Fraga começou a empurrar bem no final, mas aquele um litro ou dois economizados nos ajudaram muito no fim. Foi no osso, mas deu. Estou muito feliz e Goiânia é sempre muito especial para mim", disse Barrichello, que conquistou na capital de Goiás a sua primeira vitória na Stock Car, na Corrida do Milhão de 2014.

Fraga somou bons 25 pontos que o ajudam nas provas restantes visando o título ao terminar a prova em 2º lugar. Valdeno Brito, em mais um excelente desempenho da equipe TMG Racing, conquistou a 3ª posição. Marcos Gomes, Diego Nunes, Julio Campos, Daniel Serra, Nestor Girolami, Átila Abreu e Lucas Foresti fecharam os dez primeiros que largariam em ordem inversa na segunda prova.

Assim como na primeira corrida, o início foi dado com o safety car. Na bandeira verde, os pilotos viram que as condições de aderência continuavam difíceis com a pista molhada: Átila Abreu, em 2º, quase rodou na entrada da reta ao passar com o carro na zebra - mas conseguiu controlar e se manter na posição; já Foresti perdeu o controle do carro na frenagem para a primeira curva e acabou saindo da pista. Neste cenário, Abreu assumiu a ponta com o argentino Nestor Girolami em 2º, perseguido por Daniel Serra. Thiago Camilo prometia um final de prova emocionante, pois era o mais bem colocado entre os pilotos que havia feito o abastecimento na primeira corrida. Sem ter de economizar, a missão do piloto da Ipiranga era acelerar ao máximo e esperar pelo pit stop dos ponteiros.

A estratégia de Camilo quase deu certo. Na chuva, os carros da Stock Car viravam tempos de volta na ordem de 7 a 8 segundos mais lentos do que em condições de pista seca, e isso deu a oportunidade a grande parte do grid de economizar gasolina.

Entre o 3º e o 10º lugar, muitas disputas entre Serra, Julio Campos, Felipe Fraga, Diego Nunes, Valdeno Brito, Marcos Gomes, Rubens Barrichello e Thiago Camilo. Todos trocando de posição o tempo todo. Átila conseguiu abrir distância para o argentino Girolami, enquanto o piloto da Eisenbahn Racing Team conseguia controlar bem os ataques de Serra, da Red Bull.

A duas voltas do final, decepção para o argentino: sem gasolina, nada restou ao piloto a não ser parar o carro em área segura para que a disputa prosseguisse. Para não ficar a pé, Serrinha foi aos boxes abastecer, abrindo caminho para mais um 2º lugar de Felipe Fraga. O líder do campeonato, no entanto, também ficou sem gasolina na última volta, assim como Valdeno Brito e Júlio Campos.

As desistências em nada afetaram Átila Abreu, que em nenhum momento deixou a liderança da prova e venceu pela primeira vez na temporada - sua primeira vitória pela equipe Shell Racing. "Uma vitória meio dramática, mas em uma corrida muito disputada. Não tínhamos performance na pista seca. Hoje quando choveu se acendeu aquela luz no fim do túnel para nós e eu sabia que poderíamos nos dar bem nestas condições", destacou Átila. "Sabíamos que faltavam 4 ou 5 litros para completar a segunda corrida, então precisaríamos de uma intervenção do safety car no meio da corrida - o que não aconteceu", apontou.

Abreu lembra que quando conseguiu abrir 3 segundos para Girolami, começou a administrar o ritmo. "Mas as últimas voltas começaram a ficar dramáticas e eu gelei quando vi que o Girolami parou sem gasolina. O painel do meu carro apontava que eu não tinha mais gasolina, e fui pedindo para todos os deuses para que aquilo não acontecesse comigo, e deu certo. Estou muito feliz, pois este tem sido um ano bem difícil, e por isso agradeço a toda a equipe, que nunca desistiu do nosso trabalho", afirmou.

Camilo, que não precisava economizar, continuou forçando, mas não a tempo de alcançar o sorocabano. Mesmo assim, fechou com um excelente 2º lugar, tendo Diego Nunes, outro que soube administrar a quantidade de combustível sem abastecer, em 3º lugar.

Max Wilson fechou na 4ª posição e Barrichello lucrou com o 5º lugar. Ricardo Zonta, Galid Osman, Marcos Gomes, Vitor Genz e Guga Lima fecharam os dez primeiros.

Como favorito para a disputa final do dia aparecia Rubens Barrichello, o primeiro entre os pilotos que fizeram a parada de abastecimento durante a primeira corrida. O vice-líder do campeonato fechou em 11º e todos os outros à sua frente teriam de parar nos boxes.

Primeira bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Rubens Barrichello
Felipe Fraga
Valdeno Brito
Marcos Gomes
Diego Nunes
Julio Campos
Daniel Serra
Nestor Girolami
Átila Abreu
10º Lucas Foresti
 
Segunda bateria
(dez primeiros)
P Piloto
Átila Abreu
Thiago Camilo
Diego Nunes
Max Wilson
Rubens Barrichello
Ricardo Zonta
Galid Osman
Marcos Gomes
Vitor Genz
10º Guga Lima

Grid de largada

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