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Christian Fittipaldi busca quarto título em Daytona em sua despedida das pistas
Reportagem: Fernanda Gonçalves
Foto: José Mario Dias
FGCom
Piloto brasileiro fala sobre a expectativa para sua última prova e relembra suas grandes conquistas nas 24 Horas de Daytona.

O brasileiro Christian Fittipaldi encerra no final deste mês sua grande trajetória no automobilismo na disputa da 57ª edição das 24 Horas de Daytona. O piloto, que completa 48 anos nesta sexta-feira (dia 18), tentará pela quarta vez vencer essa tradicional corrida a bordo do #5 Mustang Sampling Cadillac DPi-V.R da equipe Action Express Racing.

O brasileiro estará ao lado dos portugueses João Barbosa e Filipe Albuquerque, com os quais venceu as 24 Horas de Daytona de 2018, e também do britânico Mike Conway.

Com três títulos na prova, Fittipaldi e Barbosa vão tentar alcançar os pilotos Bob Wollek, Rolf Stommelen, Peter Gregg e Pedro Rodriguez como tetracampeões em Daytona. Hurley Haywood e Scott Pruett são os únicos pentacampeões.

Fittipaldi, que anunciou sua decisão de “pendurar o capacete” no final do ano passado, não poderia escolher o palco melhor para a sua despedida e tentar aumentar sua coleção de Rolex.

“Escolhi essa prova para a minha última corrida, porque Daytona é Daytona. Amo a corrida, amo o lugar”, declarou o paulista, único piloto brasileiro a ter disputado as três principais categorias do mundo (Fórmula 1, Indy e NASCAR).

“Meus resultados falam por si mesmos. Não só as três vitorias, mas eu terminei no pódio seis vezes lá. Daytona, definitivamente, significa muito para a minha carreira e, agora, estou muito animado para voltar lá para a minha última corrida”, destacou.

Fittipaldi estreou em Daytona em 2003, correndo pela equipe Bell Motorsports Doran Chevrolet na primeira corrida dos Protótipos. Os seis DPs sofreram com a falta de testes e preparativos, e os GTs levaram a melhor para vencer no geral.

2004 - A primeira vitória

Em 2004, Fittipaldi voltou em um grid mais robusto de 17 Protótipos, conquistando sua primeira vitória em Daytona com o #54 Kodak Pontiac Doran JE-4 ao lado dos pilotos Terry Borcheller, Forest Barber e Andy Pilgrim.

Foi também a primeira vitória de um DP no geral do evento. A corrida aconteceu em uma das piores condições em 42 anos de história do evento, com a chuva caindo em 18 das 24 horas. O Kodak DP esteve entre os líderes durante todo a disputa, brigando com o Crawford Citgo Chevrolet Crawford do trio Tony Stewart, Dale Earnhardt Jr. e Andy Wallace.

“Nessa primeira vitória em Daytona, minha maior lembrança é a chuva. Foi tão complicado, porque ela não parava”, lembrou Fittipaldi. “Olhando para trás agora, foi a primeira corrida que vimos os DPs mais competitivos. Percorremos um longo caminho desde então, mas isso não tornou as coisas mais fáceis na época! Foi um alívio terminar a prova, porque nosso carro estava superaquecendo e só pensávamos em terminar”, contou.

O triunfo em Daytona em 2004 abriu as portas para a carreira de Fittipaldi na categoria. O piloto passou por várias equipes, incluindo a Bell Motorsports, Krohn Racing / TRG e Eddie Cheever Racing.

Fittipaldi conquistou a chance de se juntar à Action Express Racing nas 24 Horas de Daytona de 2011. Em 2013, passou a disputar a temporada completa pelo time, dividindo o #5 Corvette DP com João Barbosa. Eles venceram duas corridas na temporada, terminando o campeonato da Grand-Am em sétimo lugar.

2014 – A vitória perfeita

Em 2014, a Grand-Am uniu-se à American Le Mans Series e surgiu o IMSA Tudor United SportsCar Championship, que estreou em Daytona.

Fittipaldi e Barbosa se juntaram ao tetracampeão da Indy Sebastian Bourdais e venceram não só os outros Protótipos Daytona, mas também os carros LMP2 e os protótipos DeltaWing da ALMS.

A equipe assumiu a liderança pela primeira vez no final da primeira hora e esteve na briga o tempo todo, com Barbosa fechando a corrida e vencendo com 1s461 de vantagem.

“Minha segunda vitória em Daytona foi definitivamente incrível”, frisou Fittipaldi. “Se eu pudesse descrever uma corrida perfeita, seria essa. Foi uma combinação de tudo. A forma como a equipe trabalhou, os pit stops perfeitos, o entendimento entre o João, eu e todos fez aquilo possível. O Gary (Nelson), os engenheiros, eu podia olhar nos olhos de todos e saber exatamente o que queriam dizer e o que precisávamos para chegar lá. É por isso que você se esforça, foi um esforço de toda a equipe”.

2018 - A vitória que começou no ano anterior

A vitória nas 24 Horas de Daytona do ano passado começou a ser planejada nos minutos finais do evento de 2017. Filipe Albuquerque liderava com o #5 Mustang Sampling Cadillac DPi-V.R e estava numa briga acirrada com Ricky Taylor. Os dois carros disputaram posição na curva 1 e se tocaram faltando cinco minutos. Albuquerque saiu da pista, voltou, mas Taylor assumiu a liderança e venceu.

“O que é uma ultrapassagem limpa? Não sei, mas isso certamente venderá ingressos para a corrida do ano que vem”, declarou Fittipaldi na época.

A chegada do bicampeão da Fórmula 1, Fernando Alonso, e a entrada de dois Acura Team Penske deixaram o Mustang Sampling de Fittipaldi, Barbosa e Albuquerque fora das primeiras posições nos treinos pré Daytona no ano passado.

Mas, quando a corrida começou, eles logo estavam na ponta e se mantiveram lá. O Cadillac de número 5 brigou pelo pódio a prova toda e Barbosa assumiu a liderança faltando oito horas e 44 minutos para o final. A equipe liderou as 293 voltas finais para chegar à vitória.

O Mustang Sampling completou 808 voltas e 2.876,48 milhas, ambos recordes em Daytona. A equipe lutou contra um superaquecimento, mas nunca deixou a ponta. No final, os vencedores lideraram incríveis 579 voltas.

A Action Express ainda terminou a prova com uma dobradinha com o #31 Whelen Engineering Cadillac de Eric Curran, Felipe Nasr, Mike Conway e Stuart Middleton em segundo, 1min10s744 atrás dos campeões.

“A vitória no ano passado foi um grande alívio para nós, porque chegamos tão perto no ano anterior e não deu certo”, disse Fittipaldi. “Toda a equipe carregou este peso a temporada toda. Ficamos engasgados. Então vencer no ano seguinte foi uma sensação incrível. Foi, definitivamente, uma das melhores sensações que já tive na minha carreira. Toda vez que você vence esta corrida, é melhor do que antes. E espero uma quarta vitória para fechar com chave de ouro”, finalizou o brasileiro, que é bicampeão do IMSA e tetracampeão do Campeonato Norte-americano de Endurance.

Os treinos para as 24 Horas de Daytona acontecem no dia 24 de janeiro. A largada da prova, no sábado (26), será às 14h35 (local, 17h35 de Brasília).

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